sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

INTERPRETANDO CORRETAMENTE OS ESCRITOS DE ELLEN G. WHITE - OITO REGRAS BÁSICAS DE INTERPRETAÇÃO

INTERPRETANDO CORRETAMENTE OS ESCRITOS DE ELLEN G. WHITE
OITO REGRAS BÁSICAS DE INTERPRETAÇÃO - INTERNA
Todos querem ser compreendidos. Os mal-entendidos surgem muitas vezes quando uma declaração é retirada do contexto. Por isso, todos que foram mal compreendidos apelam para a imparcialidade e pedem que o contexto seja levado em conta. O contexto inclui pistas tanto internas quanto externas que estabelecerão a verdade sobre qualquer declaração que está sendo considerada. Do ponto de vista interno, geralmente obtemos uma visão clara do “que” um autor quis dizer lendo as palavras, frases, parágrafos e até mesmo os capítulos que circundam a declaração confusa. Do ponto de vista externo, fazemos outras perguntas capazes de nos ajudar a entender, tais como: quando, onde, por que, e, talvez, como? “Tempo”, “lugar”, e “circunstâncias” aplicam-se ao contexto externo conforme veremos daqui a pouco.
Evidências internas

Regra Um: Reconheça que a Bíblia e os escritos de Ellen White são o produto da inspiração do pensamento, e não da inspiração verbal, conforme vimos no capítulo
anterior.

Regra Dois: Reconheça que o sentido de algumas palavras podem mudar com o tempo. Por exemplo, centenas de palavras de palavras da Bíblia na versão King James (1611) mudaram de sentido ou adquiriram novos significados que não mais comunicam o sentido pretendido pelos tradutores dessa versão. Leitores superficiais certamente compreenderiam mal alguns textos bíblicos, caso não estivessem alerta para essas graves alterações no sentido das palavras. Nos escritos de Ellen White também já ocorreram mudanças de sentido em palavras usadas. Com que freqüência, não têm os leitores ficado confusos com: “A mais bela
[‘nicest’] obra já empreendida por homens e mulheres é lidar com espíritos jovens”? Quando a Sra. White usou estas palavras mais tarde em outro contexto, percebeu o problema e aprimorou: “Esta é a obra mais delicada e mais difícil que se tem confiado a seres humanos.” 3 Que aconteceu? No século dezenove, a palavra “Nice” era muitas vezes empregada, conforme indica o dicionário, no sentido de “exigente em condições ou normas... que reivindica grande ou excessiva precisão e delicadeza ou que por isso é caracterizado.” Outra palavra que assumiu hoje em dia uma acepção que não a principal no século dezenove é “intercourse”. Durante centenas de anos “intercourse” significou “trato entre pessoas” ou “intercâmbio de pensamentos e sentimentos”. Hoje é mais freqüentemente usada com referência a contato sexual, um sentido que nunca se teve em vista nas centenas de ocasiões em que Ellen White empregou esta palavra.

Regra Três: Entenda o uso da hipérbole. Hipérbole é uma figura que consiste em aumentar ou diminuir exageradamente alguma coisa. João usou uma hipérbole ao afirmar que, se todos os atos de Jesus fossem escritos, “nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que seriam escritos”. – João 21:25 A hipérbole é um recurso literário usado do começo ao fim da Bíblia. Ellen White usou a proporção de “um em vinte” pelo menos um em cinco vezes, e “um em cem”, pelo menos vinte e uma vezes. Ela não disse “um em treze” nem “um em noventa e nove”, etc. Talvez ela tenha empregado uma hipérbole quando escreveu: “É uma solene declaração que faço à igreja de que nem um entre vinte dos nomes que se acham registrados nos livros da igreja está preparado para finalizar sua história terrestre, e achar-se-ia tão verdadeiramente sem Deus e sem esperança no mundo como o pecador comum.”

Regra Quatro: Entenda o significado da frase em que a palavra está inserida. Em 1862, Ellen White escreveu que Satanás atua por intermédio da frenologia, da psicologia e do mesmerismo. 8 Significa isto que toda psicologia é má? Obviamente não, pois em 1897 ela afirmou que “os verdadeiros princípios da psicologia são fundados nas Escrituras Sagradas”. Semelhantemente, podemos observar que a televisão pode ser um instrumento pelo qual Satanás atua, mas o fato de Satanás usar a televisão não faz da televisão uma coisa má em si mesma. A psicologia, o estudo próprio para os cristãos, desde que as pressuposições sejam bíblicas, e não humanísticas.

Regra Cinco: Reconheça a possibilidade de expressões imprecisas. Em 1861, Ellen White escreveu um pensamento que parece incoerente com suas declarações posteriores sobre o mesmo assunto: “Frenologia e mesmerismo são por demais exaltados. Eles são bons em seu devido lugar, mas Satanás delas se utiliza como poderosos instrumentos para enganar e destruir seres humanos.” Num artigo em Signs em 1844, ela havia escrito: “As ciências que tratam da mente humana são por demais exaltadas. Elas são boas em seu devido lugar, mas Satanás delas se utiliza como poderosos instrumentos para enganar e destruir seres humanos.” Temos obviamente nesta declaração de 1844 uma correção editorial no pensamento que Ellen White queria comunicar a respeito das “ciências que tratam da mente humana”. A declaração de 1861, referente à frenologia e ao mesmerismo, pode ter sido um erro de impressão. É mais provável, porém que fosse um declaração geral, corrigida posteriormente, que refletisse os termos comumente usados em meados do século dezenove para psicologia. Muitos livros que tratavam de saúde física e mental incluíam capítulos dedicados à frenologia, psicologia e mesmerismo, ou faziam propaganda de outras obras que se concentravam nessas modalidades.

Regra Seis: Procure cuidadosamente pelo contexto imediato (isto é, o mesmo parágrafo ou página) para esclarecimento de uma afirmação que, à primeira vista, parece problemática. Algumas pessoas, por exemplo, ficam confusas ao lerem Ellen White advertindo de que “nunca se deve ensinar aos que aceitam o Salvador... que digam ou sintam que estão salvos”. Esta recomendação tencionava advertir contra a doutrina errônea de “uma vez salvo, para sempre salvo” que predomina entre a maioria dos cristãos evangélicos. Essa advertência, porém, foi dada dentro do contexto maior que explicava como a presunção de Pedro o havia levado à trágica negação de seu Senhor naquela noite de quinta-feira. Escreveu ela: ”Jamais podemos confiar seguramente em nós mesmos ou sentir, aquém do Céu, que estamos livres da tentação. [Neste ponto entra a afirmação freqüentemente mal compreendida.] Isso é enganoso. Deve-se ensinar cada pessoa a acariciar esperança e fé; mas, mesmo quando nos entregamos a Cristo e sabemos que Ele nos aceita, não estamos fora do alcance da tentação. ... Nossa única segurança está na constante desconfiança de nós mesmos e na confiança em Cristo.” Outro exemplo da importância do contexto se encontra na afirmação de Ellen White de que “os servos de Deus não podem trabalhar por meio de milagres, pois realizações falsas de cura, dizendo-se divinas, serão realizadas.” Essa afirmação parece em desacordo com a posição adventista de que “todos” os dons espirituais concedidos à igreja cristã - (I Cor. 12 e Efés. 4) continuarão até o fim do tempo. - (I Cor. 1:7) Parece também contradizer o próprio comentário de Ellen White de que nos últimos dias “operarse-ão prodígios, os doentes serão curados e sinais e maravilhas seguirão aos crentes”. Como entendemos tudo isso? A aparente contradição surge quando se deixa de ler toda a página cuidadosamente. Ellen White insiste em dois pontos. Em primeiro lugar, ela discute especificamente as atuais condições: referindo-se às “operações miraculosas de cura”, ela diz que “não podemos agora trabalhar dessa maneira” (grifo nosso). Em segundo lugar, ela estava apresentando a instrução do Senhor para o tempo presente: a “obra de cura física em combinação com o ensino da Palavra” seria mais bem efetuada no estabelecimento de “hospitais” onde “obreiros... levarão a cabo a obra médico-missionária genuína. ... Esta é a provisão feita pelo Senhor, mediante a qual deve ser realizada a obra médico missionária em favor das [muitas] almas.” Em outras palavras, no tempo presente, caracterizado por muitos exemplos de falsos milagres de cura, a obra de cura divina pode ser mais bem feita nos hospitais mediante um programa de ensino inteligente sobre a causa e a cura das doenças. Outra “citação errônea” afirma que “rir é pecado”, usando a citação: Cristo chorou muitas vezes, mas nunca se tem conhecimento de que tenha rido. ... Imitem o divino e infalível Modelo”. Pelo que sabemos a respeito de Jesus na Bíblia, essa afirmação soa de modo estranho. Afinal de conta, por que razão as crianças ficavam de maneira tão entusiástica ao redor dEle? É aí que percebemos a elipse. Alguma coisa está faltando. Comparamos a passagem e o contexto. Ellen White aqui está aconselhando um membro da igreja que “não tinha percebido a necessidade de educar-se para ser mais cuidadosa em palavras e atos. ... Minha irmã, você fala demais. ... Sua língua tem causado muito prejuízo. ... Sua língua ateia um incêndio, e você se diverte com a conflagração. ... Brinca, faz piadas e envolve-se em hilaridade e riso. ... Cristo é nosso exemplo. Você imita o grande Exemplo? Cristo chorou muitas vezes, mas nunca se tem conhecimento de que tenha rido. Não digo que seja pecado rir em todas as ocasiões, mas não podemos desviar-nos do bom caminho se imitarmos o divino e infalível Modelo. ... Ao contemplarmos o mundo envolto em trevas e enredado por Satanás, como podemos empenhar-nos em leviandade e hilaridade, proferindo palavras descuidadas, falando a esmo, rindo, gracejando e contando piadas?... As Escrituras não condenam a alegria cristã, mas censuram o falar imprudente.” Percebemos aqui que o contexto põe um novo molde sobre a citação errônea. “Rir” neste contexto significava atitude descuidada e imprópria na maneira de falar e de agir, uma pilhéria e zombaria que haviam “demonstrado falta de sabedoria em usar a verdade de maneira a levantar oposição, despertar a combatividade e fazer guerra em vez de possuir um espírito pacífico e verdadeira humildade mental”. Ellen White não estava ondenando o riso apropriado, conforme ela deixou bem claro, mas colocou seu conselho em uma perspectiva equilibrada.

Regra Sete: Reconheça que o significado de uma palavra pode mudar quando é usada em um novo contexto. O termo “porta fechada” podia significar várias coisas para os adventistas ex-mileritas. Para Ellen White, significava algo diferente. Tiago White e José Bates redefiniram o uso do termo entre 1844 e 1852. Outras palavras que Ellen White usava e que talvez pareçam obsoletas hoje, como “Office”, que na maioria das vezes se referia aos escritórios administrativos da editora, embora algumas vezes servisse para designar a sede da Associação Geral.

Regra Oito: Reconheça que o desafio da semântica reside em toda comunicação. As palavras significam coisas diferentes para diferentes pessoas, em virtude das diferenças pessoais como educação, faixa etária, experiências espirituais, localização geográfica e gênero. Ellen White mencionou este problema:”Há muitos que interpretam o que eu escrevo à luz de suas próprias opiniões preconcebidas. ... Uma divisão na compreensão e opiniões divergentes são o infalível resultado. Como escrever de maneira a ser compreendida por aqueles a quem dirijo importante assunto constitui um problema que não consigo resolver. Quando vejo que sou mal compreendida por meus irmãos que me conhecem bem, compreendo que devo tomar mais tempo para expressar cuidadosamente meus pensamentos no papel, pois o Senhor me dá luz que não me atrevo a fazer outra coisa senão comunicá-la; e grande fardo repousa sobre mim.” Para um escritor, a tarefa de evitar mal-entendidos é mais difícil do que apenas procurar fazer-se entender, pois o escritor deve estar conscientemente alerta para os problemas semânticos. [trecho extraído do livro Mensageira do Senhor, pp. 388-391]

Notas:

1. Os exemplos em que se compara KJV (Versão King James) com NKJV (Nova Versão King James) incluem: abroad/outside (Deut. 24:11), allege/demonstrate (Atos 17:3), anon/immediatelly ou at once (Mar. 1:30), bowells/heart (Gên. 43:40), by and by/immediatelly (Mar. 6:25), charity/love (I Cor. 13), communicate/share (Gál. 6:6), conversation/conduct (I Ped. 3:1 e 2), feeble- minded/fainthearted (I Tess. 5:14), forwardness/willingness (II Cor. 9:2), let/hindered (Rom. 1:13), meat/food (Mat. 6:25), nephew/grandsons (Juí. 12:14), outlandish women/ pagan women (Nee. 13:26), peculiar/special (Tito 2:14), reins/hearts (Sal. 7:9), suffer/let (Mat. 19:14), vain/worthless (Juí. 9:4), virtue/power (Luc. 6:19), witty inventions/ discretion (Prov. 8:12).

2. Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, p. 73, grifo nosso.

3. Educação, p. 292.

4. Webster’s Ninth New Collegiate Dictionary (Springfield, MA: Merriam-Webster Inc., Publishers, 1983).

5. “Os discípulos oraram com intenso fervor para serem habilitados a se aproximar dos homens, e em seu trato [intercourse] diário falar palavras que levassem os pecadores a Cristo”. - Atos dos Apóstolos, p. 37. “Por meio do intercâmbio [intercourse] social formam-se relações e amizades que dão em resultado certa unidade de coração e uma atmosfera de amor que agradam ao Céu”. – O Lar Adventista, p. 457.

6. Compare Êxo. 9:6 com Isa. 19. O uso freqüente de “todo” é muitas vezes um exemplo da hipérbole hebraica.

7. Serviço Cristão, p. 41 (1893).

8. Review and Herald, 18 de fevereiro de 1862.

9. Minha Consagração Hoje, p. 176.

10. Testemunhos Para a Igreja, vol. 1, p. 296.

11. Signs of the Times, 6 de novembro de 1884.

12. Parábolas de Jesus, p. 155.

13. Ibidem. Ver também Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 314.

14. Medicina e Salvação, p. 14.

15. O Grande Conflito, p. 612; ver também Primeiros Escritos, p. 278; Testemunhos Para a Igreja, vol. 9, p. 126.

16. Medicina e Salvação, p. 14.

17. Ibidem.

18. Manuscrito 11, 1868, citado em MR, vol. 18, pp. 368-370.

19. Ibidem, p. 369.

20. Ver pp. 554-565 para um estudo da questão da “porta fechada”.

21. Ver vol. 3 do Comprehensive Index to the Writings of Ellen G. White, pp. 3185-3188, para um “glossário de palavras obsoletas e pouco usadas e vocábulos com significados mudados”.

22. Carta 96, 1899, citada em parte em Mensagens Escolhidas, vol. 3, p. 79.


Adaptação,Didática e Grifos
Pr. Cirilo Gonçalves da Silva
Mestre em Teologia e Evangelista
Twitter: @prcirilo

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

UMA PEQUENA BIOGRAFIA DE ELLEN WHITE

ELLEN G. WHITE - UMA PEQUENA BIOGRAFIA

Ellen G. Harmon nasceu em Gorham, Maine, dia 26 de novembro de 1827 na família de Roberto e Eunice Harmon. Ela, junto com sua irmã gêmea Elizabeth, eram as mais jovens de um grupo de oito irmãos.

Logo no começo de sua adolescência, Ellen e a sua família aceitaram as interpretações bíblicas de um fazendeiro que se tornou pregador Batista: Guillerme Miller. Junto com Miller e outros 50.000 adventistas, sofreu uma amarga decepção quando Cristo não regressou no dia 22 de outubro de 1844, a data que indica o fim da profecia dos 2.300 dias de Daniel capítulo 8.

Em dezembro de 1844, Deus dá a Ellen sua primeira de quase 2.000 visões e sonhos. Em agosto, 1846, casou-se com Tiago White, um ministro adventista de 25 anos com quem compartilhou a convicção de que Deus a tinha chamado para que fizesse a obra de uma profetisa. Pouco depois de se casarem, Tiago e Ellen começaram a guardar o sábado como sétimo dia, conforme o quarto mandamento de Êxodo capítulo 20. Mãe de quatro rapazes, Ellen experimentou a dor de perder por meio da morte a dois de seus filhos. Herbert morreu poucas semanas depois de nascer e Henry morreu aos 16 anos. Seus outros dois filhos, Edson e William, chegaram a ser ministros adventistas.


Ellen White foi uma escritora promissora. Começando em 1851, quando publicou seu primeiro livro, estende-se num volume de artigos, livros e folhetos. Entre eles alguns são puramente devocionais, enquanto outros são seleções de muitas de suas cartas pessoais com conselhos escritos na decorrência dos anos. Outros são históricos e delineiam a contínua batalha entre Cristo e Satanás pelo controle dos indivíduos e das nações. Também publicou livros sobre educação, saúde e outros temas de especial importância para a igreja. Depois de sua morte publicaram cerca de 50 compilações, na sua maioria materiais que não se tinham publicado com anterioridade. É autora de vários milhares de artigos que foram publicados, com o decorrer dos anos, nas revistas "Review and Herald", "Signs of the Times", e outros jornais Adventistas do Sétimo Dia da época.


Não obstante sua timidez, Ellen White se converteu eventualmente num oradora pública muito popular. Isso não só nos Estados Unidos, senão também na Europa e Austrália. Demandava-se sua presença não só em reuniões adventistas, senão também em audiências não-adventistas, onde apreciavam muito seus temas sobre temperança. Durante o ano de 1876 ela falou a uma multidão estimada em 20.000 pessoas, sua maior audiência, em Groveland, Massachusetts, por mais de uma hora e sem a ajuda de um microfone. Em sua visão de 6 de junho de 1863, Ellen White recebeu instrução sobre questões relacionadas à saúde, como o uso de drogas, fumo, café, chá, comidas com carne, e sobre a importância do exercício, a luz do sol, o ar fresco, e o auto-controle na dieta. Seus conselhos de saúde, baseados nesta e outras visões posteriores, têm provido aos Adventistas um estilo de vida que dá como resultado que vivam uns sete anos mais do que a média de vida nos Estados Unidos.


Ellen White costumava ler muito. Deu-se conta de que a leitura de outros autores lhe ajudava em sua própria redação enquanto apresentava as verdades que se lhe revelavam em visão. Também o Espírito Santo lhe impressionava para que, por vezes, incluísse em seus próprios artigos e livros gemas literárias das obras de outros autores. Não pretendeu ser infalível e nem que seus escritos fossem tratados em igual forma que as Escrituras Sagradas. Ainda assim, creu firmemente que suas visões eram de origem divina e que seus artigos e livros eram produzidos sob a condução do Espírito Santo de Deus. Foi basicamente uma evangelista, e sua preocupação principal na vida era a salvação das almas.


Ellen White foi uma pessoa generosa e deu um bom exemplo de cristianismo prático. Por anos guardava retalhos de tecido, pois se via a uma mulher que precisava de um vestido, podia prover assistência. Em Battle Creek assistia a leilões, comprava móveis usados e os guardava; então se a casa de alguém se incendiava ou qualquer outra calamidade afetava uma família, estava preparada para ajudar. Antes que a igreja implementasse um plano de aposentadoria, se ela sabia de algum ministro ancião que estava com problemas financeiros, enviava-lhe um pouco de dinheiro para ajudá-lo a enfrentar suas necessidades mais urgentes.


Ellen White morreu no dia 16 de julho de 1915. Por 70 anos ela apresentou fielmente as mensagens que Deus lhe deu para seu povo. Nunca foi elegida para ocupar um cargo específico na igreja, ainda que os líderes da mesma sempre procuravam seu conselho. Frequentou a escola só até os seus 9 anos, mas suas mensagens puseram em marcha as forças que deram a luz a todo o sistema educativo mundial da Igreja Adventista. Desde as creches até as universidades. Ainda que não tinha nenhum treinamento médico, o fruto de seu ministério pode-se ver hoje na rede de hospitais e clínicas adventistas que se encontram ao redor do mundo. E ainda que não foi formalmente ordenada como ministro do evangelho, provocou um impacto espiritual sem precedentes nas vidas de milhões. Desde um extremo da terra até o outro.


Os livros de Ellen White continuam até o presente momento ajudando às pessoas a encontrar seu Salvador, a aceitar o perdão de seus pecados, a compartilhar esta bênção com outros, e a viver na esperança da promessa de seu cedo regresso!

Site de Pesquisa nos Livros de Ellen White.

Pr. Cirilo Gonçalves da Silva
Mestre em Teologia e Evangelista
Twitter: @prcirilo

EVANGELISMO RELACIONAL

EVANGELISMO RELACIONAL

A. SITUAÇÃO DO EVANGELISMO NO SÉCULO XXI:

1. Evangelismo considerado como baixa prioridade em muitas igrejas: O que era o marca – passo da igreja primitiva, perde a prioridade na mente dos membros.
  • As atividades da igreja tornaram-se centrípetas.
  • Eventos, departamentos e recursos usados primariamente para serviço aos membros.
  • Evangelismo, visitação e treinamento para testemunhos despertam pouco interesse por parte da congregação.
2. O conceito bíblico de “perdido” tem desaparecido
  • Muitos tendem a perceber o perdido apenas numa dimensão sociológica. O fato das pessoas que não pertencem a Cristo estarem perdidas uma vez que um imperativo teológico tem mudado na mente de muitos crentes.
  • Não há mais zelo fervente pelos ex –adventistas, amigos e parentes. 
3. O evangelismo tem enfocado o batismo em vez do discipulado
  • O sucesso é avaliado de acordo com o alvo de batismos. Em muitas igrejas evangélicas, o sucesso é avaliado pelo número dos que “tomaram a decisão”. Há uma brecha entre ser batizado e tornar-se discípulo.
  • Discípulo: alguém comprometido, incorporado ao corpo, que se reproduz como seguidor de Cristo.
4. Evangelismo é muito discutido, mas pouco praticado
  • Analogia da pesca (ver apêndice do livro Guia do Evangelista nesse CD)
B. AS 3 ERAS DO EVANGELISMO ADVENTISTA

1. Era do evangelismo profético (1830 – 1918)
  • Período das grandes campais Adventistas. Tremendo crescimento da igreja, de 5.440 membros em 1870 para 75.000 membros na virada do século (4,6% por ano).
  • Tiago White, J. N. Loughborough, A. T. Jones, D. M. Canright.
  • O foco primário era plantar igrejas. Após cada campal uma nova igreja era erguida na cidade próxima. Mais de 1.500 foram organizadas durante este tempo.
2. Era do evangelismo institucional (1930 – 1970)
  • O desenvolvimento de hospitais Adventistas, publicadoras e escolas deviam ser coordenadas com campanhas públicas de evangelismo em larga escala, nas áreas metropolitanas.
  • H. M. S. Richards, J. L. Shuler, E. E. Cleveland, George Vandeman.
  • Surgem instituições orientadas para o evangelismo: Voz da Profecia, escolas bíblicas por correspondência, centros evangelísticos em N. Y. e Londres e o “Adventist Media Center”(Está Escrito, Amazing Facts, Faith for Today).
  • O evangelismo adventista era visto como uma “máquina de produzir almas”.
3. Era do evangelismo relacional
  • Durante a década de 80, o aumento de diferenças étnicas, culturais e sócio- econômicas tornaram difícil estabelecer planos centralizados de evangelismo.
  • Congregações longamente estabelecidas cresciam em educação e influência, cobravam mais atenção e tornaram-se menos interessadas no evangelismo.
  • Aumento do secularismo e dificuldade em alcançá-los através do evangelismo convencional.
  • Hospitais e escolas enfrentavam o mercado competitivo. Precisavam inovar ou entrar em falência. Por isso, tornava-se mais difícil envolver-se em estatísticas evangelísticas.
  • A ênfase é colocada em partilhar a fé, em vez de ensinar um sistema de doutrinas.
  • A amizade torna-se o instrumento primário para trazer homens e mulheres a Cristo e o alvo é atender às necessidades das pessoas. (Fonte: Sharing our Faith with friends – Monte Sahlin) 
C. EVANGELISMO "OIKOS"

A) Conceitos:
  1. Oikos – Sistema social composto por aqueles relacionados uns aos outros através de laços comuns e tarefas. Família ou pessoas na espera de influência
  2. Mais frutífero método de evangelismo e o mais econômico. Quanto mais distante do povo, mais dispendioso será o evangelismo.
  3. 70% dos novos conversos vieram por causa de amigos ou familiares.
B) Oikos em evangelismo relacional nas Escrituras
  1. Atos 16:11-15 – Começou a igreja com Lídia e sua família, e depois com o carcereiro e seu Oikos.
  2. Marcos 5 – “Vai para tua casa, para os seus amigos (Oikos).”
  3. Lucas 19:9 – “Hoje a salvação veio a esta casa (Oikos)”.
  4. João 4:52, 53 – O nobre e toda a sua casa creram.
  5. Atos 10:2, 24 – Cornélio reuniu seus parentes e amigos íntimos.
  6. Atos 18:8 – Crispo creu com toda a sua casa.
  7. I Coríntios 1:16 – A casa de Estéfanas foi batizada por Paulo.
C) Princípios do evangelismo relacional:

1. Fazer discípulos é mais efetivo quando ele é uma resposta intencional da igreja local.
  • Torna-se parte das prioridades e alvos da igreja local. Há compromisso dos membros;
  • As atividades incluem passos específicos para trazer novos discípulos para a igreja;
  • Faz parte de um “mix” de programas que focalizam o crescimento da igreja.
2. Fazer discípulos é mais efetivo quando se torna um esforço de equipe.
  • 1ª Razão: Cada membro possui diferentes dons para a edificação da igreja (Ef. 4:16).
  • 2ª Razão: quanto maior e mais variado contato o não - cristão tem com o corpo, maior a influência de decisão. Uma razão pela qual o evangelismo um- a –um torna-se infrutífero é a carência desse contato.
  • 3ª Razão: O novo cristão precisa fazer amizades na igreja, caso contrário ele não permanecerá. 
3. Fazer discípulos é mais efetivo quando o programa é centralizado na igreja:
  • Quanto mais distante o evangelismo da igreja local, menos frutos permanecem; quanto mais próximo da igreja local, mais frutos permanecem;
  • Uma estratégia efetiva guia em torno da igreja local;
  • A igreja treina seus membros para fazer discípulos;
  • A igreja coordena os recursos do corpo para fazer discípulos.
D) PORQUE AS PESSOAS SE UNEM À IGREJA?

1. Diferentes pessoas se unem à igreja por diferentes razões. Edward A. Raulf, diretor da Research and Information do Concílio Luterano – USA, realizou pesquisa com 180 pessoas para responder a essa questão:
  • Relacionamentos e responsabilidades familiares (30%). Preocupavam-se em manter a família unida e fortalecer a vida familiar. Bem- estar da família levou-os a buscar a igreja.
  • A influência do povo cristão (22%). Viam a diferença na qualidade de vida de amigos, parentes, vizinhos e conectaram essa diferença às convicções religiosas dessas pessoas ou membros da igreja.
  • Visita à igreja, programas, eventos (19%). Ao visitarem a igreja, fora as ocasiões especiais, desperta-lhes a consciência, reflexão ou auto – exame.
  • Busca de comunidade (14%). Uma atmosfera amigável fê-los sentir-se em casa, quando visitaram a igreja. O relacionamento afetuoso provocou um desejo de retornar.
  • Crise pessoal (17%). Perderam o controle de sua vida e buscaram os eventos da igreja para ajudá-los a reorganizar prioridades e valores.
  • Influência de pastores (12%). Interação com o pastor tornou-se o que os levou à filiação da igreja.
  • Busca da verdade (11%). Uma jornada pessoal em busca da verdade.
  • Sentimento de vazio (11%)
  • Reação aos sentimentos de culpa e temor (10%)
2. Primeiro convite

  • Amigos ou parentes ............................ 79%
  • Pastor .................................................. 6%
  • Programa ............................................ 3%
  • Iniciativa própria ................................ 3%
  • Cruzada evangelística ........................ 5% (American Church Growth Institute)

3. Como se tornou consciente da Igreja

  • Viu a igreja na vizinhança .............................. 30%
  • Convite de amigo ............................................. 26%
  • Alguém não – membro contou-me .................. 11%
  • Parente que é membro convidou-me .............. 10%
  • Vi o convite, anúncios, etc ............................... 7%
  • Outros .............................................................. 6%
E) SETE PASSOS PARA ALCANÇAR SUA FAMÍLIA PESSOALMENTE. (Master`s Plan, Win Arn)

1. Identifique sua família (Oikos)

  • Familiares biológicos (pais, irmãos, tias, sobrinhos, avós.); Amigos ; Colegas de trabalho;
  • Liste dez deles como o primeiro passo para alcançá-los. 
2. Descubra um perfil de cada membro

  • Estratégia de Franklin D. Rooswelt – estudar os hobbies, interesses;
  • Qual a experiência religiosa; conhecimento da Bíblia; são receptivos? 
3. Desenvolva um plano de ação

  • Faça coisas amáveis
  • Fortaleça o relacionamento: partilhe experiências – alegria, sucesso, tristeza, etc.
  • Providencie variedade de exposição. Sobre necessidades sentidas: livros, fitas de vídeo, CDs, etc.
 4. Melhore seu testemunho
  • Seja bom ouvinte
  • Identifique períodos receptivos. Escala de receptividade de Holmes – Rahe

Morte da esposa _______________________________________100

Divórcio ____________________________________73

Prisão _________________________________ 65

Morte de familiar ________________________________63

Doença ______________________________ 53

Casamento _____________________________ 50

Desemprego ____________________________ 47

Aposentadoria __________________________ 45

Gravidez _________________________ 40

Morte de amigo ________________________ 37

Dúvidas _______________________ 31

Filho abandona o lar ______________________ 29

Mudança de casa e de escola ____________________ 20

Férias _______________ 13

Natal ______________ 12

  • Verbalize sua fé

5. Ore regularmente por cada membro

6. Convide-o às reuniões especiais – Pequenos grupos, cultos dos visitantes, etc.
7. INCORPORE-O À IGREJA

Adaptado de autor desconhecido por:
Pr. Cirilo Gonçalves da Silva
Mestre em Teologia e Evangelista
Twitter: @prcirilo