terça-feira, 17 de agosto de 2010

O CONCEITO DE JUSTIÇA NO ANTIGO TESTAMENTO

INTRODUÇÃO:
1. Essa breve pesquisa foi realizada por Cirilo Gonçalves, Jairo de Oliveira e Ricardo Pablo para o programa de Mestrado em teologia pelo UNASP. os três ja receberam o título de Mestre em Teologia. Esse artigo será publicado, em breve pela Universidade por ter recebido a nota máxima.
2. Dificilmente haja alguém que não seja culpado de ter cometido injustiça e sérios erros de julgamento. Dificilmente haja alguém que não tenha sofrido injustiça e algum engano de julgamento com respeito a si mesmo por parte de outros. Em repetidas ocasiões artistas que, posteriormente, chegariam a ser famosos, foram rechaçados por serem considerados inúteis.
3. Em suas memórias Gilbert Frankau recorda como, na época vitoriana, a casa de sua mãe era uma reunião onde se encontravam as pessoas mais brilhantes da época. Sua mãe tomava provisões para entreter aos hóspedes com alguma expressão artística. Em certa oportunidade, convidou-se a uma jovem cantora australiana. Depois de ouvi-la, a senhora Frankau declarou: "Que voz atroz! Ela deveria ser amordaçada e não ser permitida cantar o resto de sua vida." A cantora era Nellie Melba, uma das mais famosas sopranos de ópera, poucos anos depois.
4. Houve tantos casos de julgamentos equivocados que se acreditaria que os homens deveriam aprender a abster-se totalmente de julgar a outros (grifo nosso). No entanto, é dever cristão exercer discriminação: ‘E porque não julgais também por vós mesmos o que é justo?’ (Luc 12:57), perguntou Jesus. E noutra ocasião, disse Ele: Não julgueis segundo a aparência e, sim, pela reta justiça (Jo 7:24). “Espera-se que o crente não seja crédulo. O crente tem habilidade de discriminar. Portanto deve usá-la e julgar pela ‘reta justiça’”.
5. Quando tratamos da justiça humana não raras vezes percebemos haver um movimento pendular. Ora pendemos ao extremo do rigor e ora ao extremo da complacência. Como evitar os extremos e encontrar o equilíbrio na pratica da justiça? O presente artigo tem como propósito apresentar o conceito bíblico de justiça e a prática para se alcançar o ideal da imparcialidade.

CONCEITO HEBRAICO DE JUSTIÇA NO ANTIGO TESTAMENTO

O Novo Dicionário da Bíblia diz que “a palavra justiça aparece algumas dezenas de vezes, no Antigo Testamento” e três palavras hebraicas são usadas para descrevê-la: (tsedeq) justiça, retidão, (tsᵉdāqâ) justiça, retidão e (tsaddîq) justo,
legal, certo, reto , porém em Jó 36:17 (NVI) aparece o (shāpaṭ) julgar,
governar, que na sua forma derivada é (shepeṭ) julgamento, (shᵉpôṭ) juízo
e (mishpāṭ) justiça, ordenança. Quando mishpāṭ e tsᵉdāqâ aparecem juntos, a
frase inteira é geralmente traduzida como julgar e fazer justiça, que é o caso de II Sm 8:15 (cf. Gn 18:19) .
Segundo N. Snaith o significado original da raís (tsdq) é “um ser retilíneo”, mas que implica uma norma. Embora a origem ainda seja obscura , Léon Epsztein citando H. Cazelles concorda que havia uma aspiração geral à justiça nas diversas regiões do antigo Oriente Médio. Em Babilônia e entre os semitas ocidentais havia um binômio lingüístico kittu/mêsharu, sendo kittu proveniente da raiz kânu que em seu sentido básico significa solidez, estabilidade, mas, kittu é traduzido por termos variados como verdade, justiça, procedimento correto, lealdade, fidelidade, correção, estado normal. Já o termo mêsharu veio da raiz eshêru, verbo que apresenta a noção de ordem perfeita, crescimento belo da lavoura para a colheita, prosperidade dos animais e dos homens, paz e segurança do reino.
O binômio kittu/ mêsharu tornou-se, graças ao movimento profético em Israel, o
(mishpāṭ/tsᵉdāqâ) (tsedeq/tsᵉdāqâ) que não pode ser tomado como uma fórmula abstrata, e, sim noção profundamente ligada à vida concreta do povo de Israel. Essa fórmula que descreve a justiça em seu campo mais amplo, alcança uma importância significativa entre os profetas bíblicos no sentido de transcender do seu aspecto jurídico para o ético e religioso, algo necessário, um conjunto de regras religiosas conforme a vontade divina. É também observado como sinônimo de graça, de fidelidade à aliança, de absolvição ou punição, e também concernente às relações entre as duas partes . No Israel antigo o comportamento não era julgado segundo uma norma abstrata, mas em função do concreto, das relações humanas. O conceito(mishpāṭ/tsᵉdāqâ) (tsedeq/tsᵉdāqâ) é conceito de relação real entre
dois seres e não entre uma idéia e um objeto submetidos à julgamento de valor .
O uso mais antigo de (tsedeq/tsᵉdāqâ) diz respeito à função de juízes. Todos os seus procedimentos e decisões devem ocorrer de acordo com a verdade e sem nenhuma parcialidade (Lv 19:15). A fraude e o engano nas relações comerciais não são permitidos. O termo em questão descreve três aspectos de relacionamentos pessoais: Ético, Forense e Teocrático.
1) O aspecto Ético está relacionado a conduta de uns com os outros por meio de normas vigentes, e estas estão na Palavra de Deus. Especificamente, retidão nas relações sociais consistia na obediência à lei de Deus.
2) Já o aspecto Forense está ligado à igualdade de todos, ricos e pobres, perante a lei. O justo não era morto (Êx. 23:7), pois a lei não o condenava. A pessoa que num litígio estava com a razão não era posta de lado (Is. 5:23). Na época do Israel antigo o juiz considerava a inocência de um homem mediante a sua retidão em relação à lei de Deus. Ser inocente e ser justo eram a mesma coisa. O termo é empregado ao Senhor, o reto Juiz (II Cr. 12:6; Sl. 11:7; Jr. 12:1; Lm. 1:18) e Juiz de toda terra (Dt. 32:4; Sl. 119:137; Is. 5:16), conseqüentemente Seus padrões e juízos são justos (Sl. 119:144, 160,172).
3) No contexto do aspecto Teocrático está envolvida a aliança entre Deus e Israel. Nesse pacto é necessária è obediência a Deus que em retribuição a essa fidelidade o SENHOR livra o Seu povo de dificuldades (Sl. 31:1 NVI), de inimigos (Sl. 5:8), dos ímpios (Sl. 37:6) e quando necessário, o SENHOR vindica o Seu povo diante dos seus adversários e executa vingança sobre eles (Jr. 11:20). Com um Juiz assim, Israel tem certeza da vitória final sobre os adversários (Is. 54:14-17). Portanto o SENHOR é, ao mesmo tempo, Justo e Salvador (Is. 45:21).

CONCEITO DE JUSTIÇA NO NOVO TESTAMENTO

A língua grega do Novo Testamento usa o substantivo (díke) como raiz do qual derivam para os vocábulos Justiça (dikaiosýne); Justo (díkaios).
DIKAIOS (Justo) em primeiro lugar é aquele que se comporta de modo adequado para e dentro da estrutura de sua comunidade e observa os deveres para com os deuses e os homens.
DIKAIOSYNÊ (Justiça) na justiça está, como um compêndio, toda a virtude. A palavra designa, por uma parte, a qualidade do que é justo, é a justiça que corresponde à lei, mas por outra parte ela mesma é também a norma. “É o caráter ou qualidade de ser reto ou justo. Usado para denotar um atributo de Deus, significa essencialmente o mesmo que sua fidelidade, ou veracidade, aquilo que é coerente com Sua própria natureza e promessas; Romanos 3:25,26 fala de Sua Justiça manifesta na Morte de Cristo, que é suficiente para mostrar aos homens que Deus não é indiferente diante do pecado, nem o considera de maneira ligeira”
O D. Hill, comentando sobre o emprego que a LXX faz do grupo de palavras com dikaios, observa que este passou por uma mudança considerável por causa de ter sido consistentemente empregado para traduzir o grupo hebraico que se forma com sdq, especialmente quando se faz comparação com o Grego clássico.
“1. As palavras eram empregadas para se referirem ao caráter e às ações de Deus [na LXX]. No uso do grego clássico, dikaios, etc., não eram termos que se empregavam daquilo que era divino, a não ser numa data bem recuada.
2. No emprego lingüístico dos termos no Grego clássico estava presente a idéia da conformidade com um padrão, e o padrão era primariamente aquele de uma obrigação social. No emprego que o Antigo Testamento fazia de sedaqah, o padrão que se subentende possui autoridade divina, sendo, em muitas ocasiões, aquilo que exige a lei da aliança.
3. A palavra dikaiosyne, ao ser traduzida para dentro da terminologia da aliança, recebia, de vez em quando, um conteúdo que se relaciona com aquele de misericórdia (ao traduzir hesed), e de lealdade e fidedignidade (ao traduzir emet).”
O Novo testamento emprega as palavras deste grupo de muitos modos diferentes. O adjetivo dikaios ocorre em quase todos os livros no NT, mais freqüentemente em Mateus e Paulo (17 vezes cada). dikaiosyne ocorre sete vezes em Mateus. Para ter mais clareza sobre o sentido de Justiça examinaremos o uso no evangelho de Mateus.
Dikaiosyne: se encontra nas palavras do Senhor Jesus no sermão do monte, referindo-se a tudo que é reto e justo em si mesmo, de tudo o que está de acordo à vontade revelada de Deus. Mateus 5:6 “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos”; 10 “Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus”; 20 “Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus”(citação). É possível que a chave para esse sermão seja este ultimo verso. O tema central desse texto é a verdadeira justiça. Os líderes religiosos possuíam uma justiça artificial e exterior com base apenas na lei. A justiça que Jesus descreve é verdadeira e essencial, começa no interior, no coração. Os fariseus se preocupavam com os mínimos detalhes da conduta e do cumprimento rigoroso da lei, mas deixavam de valorizar a pessoa.
Justiça, dikaiosyne, parece significar aqui “a conduta que Deus requer, possível apenas quando a lei for encarada como uma inspiração, e não como um fardo, como os escribas a queriam tornar”. Knox, enquanto admite que a tradução “justiça só expressa uma parte do que esta difícil palavra quer dizer, assim traduz: “Se a vossa justiça não for de uma medida mais cheia do que a justiça dos escribas”; ele parafraseia “vossa justiça” dizendo: “a vossa noção do que é devido de vossa parte para com o vosso próximo.
Ao proferir o sermão do monte, Jesus inicia enfatizando os benefícios e bênçãos para o cristão decorrentes de seus ensinamentos. Os fariseus ensinavam que a justiça era algo exterior, uma questão de obedecer a determinadas regras e preceitos, e aplicavam a punição caso houvesse a infração da mesma, em detrimento da misericórdia. Jesus apresenta um caráter cristão que flui do ser interior e se manifesta em atos exteriores ao exercer a justiça. No episódio da mulher adúltera (João 8:1-11), em vez de julgar a mulher, Jesus julgou os juízes, porque certamente se indignou com a maneira como a trataram. Não podemos concluir de que Jesus não tratava o pecado com rigor ou de que desrespeitava a Lei. O perdão de Cristo também não é uma desculpa para pecar. Sua ordem foi: “vai e não peques mais”. Essa experiência do perdão repleto de graça foi um exemplo da justiça e misericórdia (dikaiosyne) que deve servir como motivação para viver em obediência.
Na perspectiva bíblica, Deus é sempre a fonte de todo “direito” e por tanto, é aquele que assinala a linha do “justo” segundo suas normas próprias. Deus é o justo por excelência. No pensamento bíblico, a vontade divina opera conforme a princípios intrínsecos de equidade. Deus não é uma forca incontrolada, porem age segundo seus atributos de justiça e misericórdia, em constante contrabalanço e equilíbrio, inclinando-se mais pela misericórdia compassiva do que pela justiça rígida e punitiva.

CHAMADOS À JUSTIÇA

Quando Jesus orou por seus discípulos, disse: "Não rogo que os tire do mundo, mas que os livres do mal" (João 17:15). Qualquer ensino que separe o cristão da vida e da atividade no mundo é falso. Este foi o engano que cometeram os monges e os ermitões. Sua crença era que para viver uma vida cristã deviam retirar-se ao desterro ou a um monastério, que deviam separar-se da substância absorvente e tentadora vida do mundo, que somente podiam chegar a ser cristãos verdadeiros deixando de viver no mundo. “O cristão não é um espectador, desde seu balcão, mas sim está comprometido nas lutas cotidianas da existência”.
Certamente que uma das lutas cotidianas da existência é o fato de que neste mundo, vez ou outra, o cristão terá que exercer esta capacidade de discernimento, terá que julgar com justiça. O apostolo Pedro afirma que “nós aguardamos novos céus e nova terra onde habita a justiça” (2Pedro 3:13).
Se há de haver um novo céu e uma nova terra, se este céu e esta terra hão de ser morada de justiça, então é evidente que o homem deve esforçar-se com todas suas energias mentais, morais e físicas para adaptar-se à condição de morador de um mundo novo no qual não haverá lugar para a injustiça.
O amadurecimento cristão abrange a busca de se tornar praticante da justiça. Tratar os seus semelhantes com equidade e justiça e de forma imparcial deve ser uma das metas do viver cristão. Não há campo para neutralidade quando temos que nos colocar do lado da justiça e do que é correto. Em Hebreus 5:14 o autor se depara com um problema que acossoa a igreja de todas as gerações: O problema do cristão que se recusa crescer. Deus é infinito; as riquezas de Cristo são inescrutáveis; e deveríamos seguir progredindo até o final de nossa vida.
Há gente que jamais experimentou um crescimento em sua conduta. Pode perdoar-se que um menino esteja de mau humor, que seja propenso a acessos incontrolados de temperamento e recuse jogar a não ser seguindo seus próprios impulsos. E há muitos adultos — até na Igreja — que são tão pueris em sua conduta como qualquer menino. Fisicamente são já homens e mulheres, mas em matéria de conduta não se desenvolveram.
O autor lamenta que depois de muitos anos de cristianismo seus fiéis não tenham superado o elementar; são como os meninos que não conhecem a diferença entre o bem e o mal. Não só careciam do conhecimento da verdade, mas também da experiência da verdade. Mas aqueles que são perfeitos (E.R.C.) ou adultos (E.R.A.) (teloi, "maturos") eram como atletas exercitados (gegymnasmena), prontos para a competição porque estavam espiritualmente disciplinados. Aqueles que assim foram treinados eram espiritualmente sensíveis e capazes de discernir entre a verdade e o erro quando instruídos.
Muito se espera daqueles a quem muito se dá. Ser pouco hábil denota a falta de experiência nas coisas do Evangelho. A experiência cristã é um sentimento, sabor ou prazer espiritual da bondade, doçura e excelência das verdades do Evangelho. Nenhuma língua pode expressar a satisfação que a alma recebe por meio do sentimento da bondade, graça e amor divinos de Cristo por ela.

CONCLUSÃO:

A palavra justiça na Bíblia quando se refere a Deus é uma “demonstração dEle agindo de acordo com as normas e exigências da perfeição de sua própria natureza” ou ainda justiça pode ser um “ato divino, onde em sua graça e em conformidade com a sua aliança, selada com o sofrimento, morte e ressurreição de Cristo, Ele, perdoa as pessoas fracas, perdidas e sem justiça própria, aceitando-as através da fé”. No entanto a Bíblia ainda define justiça como uma “qualidade que leva os cristãos a agirem corretamente, de acordo com os mandamentos de Deus”. Sendo assim, devemos buscar a justiça de Deus para exercer justiça para com os nossos semelhantes. Ao entrar em contato com o pensamento bíblico de justiça percebemos que Deus deseja que sejamos “justos”. O apostolo Paulo no capítulo do amor diz-nos que o amor não se alegra com a injustiça (1Coríntios 13:6). Ellen White orienta-nos que deveríamos pautar “sempre a nossa vida pelos princípios da justiça, a fim de que avancemos de força em força no nome do Senhor”.
Assim como no Antigo Testamento todo julgamento é atribuído a Deus, assim também no Novo Testamento a totalidade do julgamento e do castigo fica sendo dentro do contexto mais lato do julgamento soberano de Deus, princípio este que se expressa com a maior clareza em Mateus 7:1; “Não julgueis, para que não sejais julgados”. À igreja de Cristo foi confiada a tarefa de julgar no que diz respeito a assuntos que afetam os seus membros (1 Coríntios 5:12; 6:2). Os relacionamentos humanos devem ser regulados pelo amor.
Ser justo e praticar a justiça trazem recompensa na área dos relacionamentos sociais, profissionais e materiais bem como familiares e espirituais. Percebemos esta realidade quando analisamos os provérbios de Salomão (10-15). O COMPARATIVO abaixo nos dará uma visão mais ampla e detalhada do assunto.

COMPARATIVO: JUSTO/RECOMPENSA E PERVERSO/RECOMPENSA (PROVERBIOS 10-15)

JUSTO/RECOMPENSA:

1. “O SENHOR não deixa ter fome o justo” Pv. 10:2

2. “Sobre a cabeça do justo há bênçãos” Pv. 10:6

3. “A memória do justo é abençoada” Pv. 10:7

4. “A boca do justo é manancial de vida” Pv. 10:11

5. “A obra do justo conduz à vida” Pv. 10:16

6. “Prata escolhida é a língua do justo” Pv. 10:20

7. “O anelo dos justos Deus o cumpre” Pv. 10:24

8. “O justo tem perpétuo fundamento” Pv. 10:25

9. “A esperança dos justos é alegria” Pv. 10:28

10. “O justo jamais será abalado” Pv. 10:30

11. “A boca do justo produz sabedoria” Pv. 10:31

12. “Os lábios do justo sabem o que agrada” Pv. 10:32

13. “O justo é libertado da angústia” Pv. 11:8

14. “No bem estar dos justos exulta a cidade” Pv. 11:10

15. “O desejo dos justos tende somente para o bem” Pv. 11:23

16. “Se o justo é punido na terra” Pv. 11:31

17. “Os pensamentos do justo são retos” Pv. 12:5

18. “O justo atenta para a vida dos seus animais” Pv. 12:10

19. “A raiz dos justos produz o seu fruto” Pv. 12:12

20. “Nenhum agravo sobrevirá ao justo” Pv. 12:21

21. “O justo serve de guia para o seu companheiro” Pv. 12:26

22. “O justo aborrece a palavra de mentira” Pv. 13:5

23. "A luz dos justos brilha intensamente” Pv.13:9

24. “O justo tem o bastante para satisfazer o seu apetite” Pv. 13:25

25. “O justo ainda morrendo tem esperança” Pv. 14:32

26. “Na casa do justo há grande tesouro” Pv. 15:6

27. “O coração do justo medita o que há de responder” Pv. 15:28

28. “O SENHOR atende à oração do justo” Pv. 15:29


PERVERSO/RECOMPENSA:

1. “Mas rechaça a avidez dos perversos” Pv. 10:2

2. “Mas na boca dos perversos mora a violência” Pv. 10:6

3. “Mas o nome dos perversos cai em podridão” Pv. 10:7

4. “Mas na boca dos perversos mora a violência” Pv. 10:11

5. “O rendimento do perverso, ao pecado” Pv. 10:16

6. “Mas o coração dos perversos vale mui pouco” Pv. 10:20

7. “Aquilo que teme o perverso isso lhe sobrevém” Pv. 10:24

8. “Como passa a tempestade, assim desaparece o perverso” Pv. 10:25

9. “Mas a expectação dos perversos perecerá” Pv. 10:28

10. “Mas os perversos não habitarão a terra” Pv. 10:30

11. “Mas a língua da perversidade será desarraigada” Pv. 10:31

12. “Mas a boca dos perversos, somente o mal” Pv. 10:32

13. “O perverso a recebe em seu lugar” Pv. 11:8

14. “Perecendo os perversos, há júbilo” Pv. 11:10

15. “Mas a expectação dos perversos redunda em ira” Pv. 11:23

16. “Quanto mais o perverso e o pecador” Pv. 11:31

17. “Mas os conselhos do perverso, engano” Pv. 12:5

18. “Mas o coração dos perversos é cruel” Pv. 12:10

19. “O perverso quer viver do caçam os maus” Pv. 12:12

20. “Mas os perversos, o mal os apanhará em cheio” Pv. 12:21

21. “Mas o caminho dos perversos os faz errar” Pv. 12:26

22. “Mas o perverso faz vergonha e se desonra” Pv. 13:5

23. “Mas a lâmpada dos perversos se apagará” Pv. 13:9

24. “Mas o estômago dos perversos passa fome” Pv. 13:25

25. “Pela sua malicia é derribado o perverso” Pv. 14:32

26. “Mas na renda dos perversos há perturbação” Pv. 15:6

27. “Mas a boca dos perversos transborda maldades” Pv. 25:28

28. “Mas o SENHOR está longe dos perversos” Pv. 15:29

É bom lembrar que a reta justiça só pode ser praticada por quem pratica o que prega. A história que segue ilustra bem essa verdade:

Rabi Yonatan era juiz em sua cidade, e o tribunal de Justiça era em sua própria casa. Rabi Yonatan tinha um vizinho romano. As casas ficavam lado a lado e os campos eram fronteiriços. Uma árvore cresceu no campo de Rabi Yonatan. Era sólida e alta, e seus grossos galhos estendiam-se por cima do campo do vizinho. O romano gostava de descansar à sombra da árvore, e nunca havia se queixado que esta escurecia parte de seu campo.
O romano sabia que muitas pessoas vinham ao Bet Din de Rabi Yonatan e que ele era bem conhecido em toda a cidade por sua honestidade e integridade.
“Gostaria de ouvir alguns dos casos trazidos perante Rabi Yonatan” – pensou ele. “Certamente seria divertido ouvir os judeus brigando e discutindo entre si e como o Rabi os julga.”
E, de fato, um dia o romano foi ao Bet Din.Do lado de fora, dois judeus, que vieram para uma audiência, discutiam. Um deles dizia:
“Você precisa cortar sua árvore. Ela me incomoda porque está em meu caminho quando estou arando meu campo, e os galhos escondem a luz do sol e prejudicam minha colheita.” O outro respondia com raiva:
“Por que cortar a árvore agora? Não e não! Por vinte anos tem crescido neste mesmo lugar e nunca disse uma palavra. Agora você vem com queixas!”
As duas partes entraram na sala de audiências, com as faces vermelhas de raiva. Apresentaram o caso a Rabi Yonatan. Um deles disse: “Não concordo em cortar os galhos da árvore! Como ela ficará, tosada de seus bonitos galhos? Isto poderia enfraquece-la e o vento poderia arranca-la. O outro argumentou:
“É verdade que a arvore está lá por um longo tempo, mas no principio não era tão grande e não me incomodava. Agora seus galhos estenderam-se tanto que me atrapalham e prejudicam meu trabalho. Tenho sofrido bastante e não tolerarei mais isto!” O romano ouviu atentamente.
“Bem” – pensou ele – “este é um caso muito interessante. Rabi Yonatan também possui uma árvore como a deste caso que cresce sobre meu campo. Desejo saber qual será seu veredito.”
Rabi Yonatan ouviu pacientemente cada uma das partes e, quando os dois homens concluíram suas queixas, disse: “Vao para casa e voltem pela manhã, para ouvir a decisão do Tribunal”. Os dois judeus saíram, e o romano pensou: “É evidente que Rabi Yonatan adiou para amanhã o julgamento por minha causa. Viu-me sentado aqui e lembrou de sua própria árvore! Provavelmente pensou que se dissesse ao homem para cortar os galhos de sua árvore, então eu pediria que cortasse sua árvore também! Mas se pensa que pode sair pela tangente, está enganado! Amanhã, bem cedo, voltarei à Corte, e se ouvir Rabi Yonatan ordenar ao homem aparar a árvore, o envergonharei diante de todas as pessoas no tribunal. Dir-lhes-ei que ele julga os outros, enquanto comete o mesmo erro. Depois irei ao campo e podarei sua árvore! Veremos se ousará fazer-me objeção!”
O romano retornou para casa e, como todas as pessoas malvadas que planejam prejudicar as outras, não revelou seus maus pensamentos a ninguém.
Naquela mesma tarde, Rabi Yonatan chamou um carpinteiro e disse:
“Vá a meu campo e corte todos os galhos que estão se inclinando sobre a propriedade do meu vizinho.” O homem pegou suas ferramentas e serrou os galhos.
Bem cedo da manhã seguinte,as partes chegaram ao Bet Din. O romano também veio e se assentou para ouvir. Rabi Yonatan virou-se para o dono da árvore e disse: “Esta é a decisão do Tribunal: você deve cortar os galhos que ultrapassam seu campo e incomodam seu vizinho. Apare-os.”
Rabi Yonatan mal terminara de falar, quando o romano saltou e gritou:
“O que me diz de sua árvore inclinando-se sobre meu campo? Por que o senhor não corta seus galhos?!” Rabi Yonatan respondeu tranquilamente: “Vá e veja minha árvore. Este homem precisa fazer com a sua exatamente o que fiz com a minha.” O romano foi ao campo e, para sua grande surpresa, achou a árvore aparada; verificou que não havia mais ramos sobre sua propriedade. Então compreendeu Rabi Yonatan era honesto e justo, pois não queria julgar outro homem até que ele próprio consertasse o que devia. Arrependido de seus maus pensamentos, o romano falou em voz alta, emocionado:
“abençoado seja o Deus de Israel que ordenou aos judeus viverem de acordo com a lei e a justiça. Rabi Yonatan é um exemplo vivo disto”
Daquele dia em diante, mostrou grande reverencia a seu vizinho, Rabi Yonatan, o juiz.

Autores: Cirilo Gonçalves (Evangelista, MP, MG e ADRA da UCOB), Jairo de Oliveira (Distrital da AP), e Ricardo Pablo (Distrital da APV).

Pr. Cirilo Gonçalves da Silva
Mestre em Teologia e Evangelista
Twitter: @prcirilo

3 comentários:

messias disse...

Parabéns! ficou muito bom este material, de facil compreensão e ao mesmo tempo fundamentado. Que Deus continue a ilumina-lo. forte abraço Pr. Messias,distrital em tijucas sc.

Rádio Apologética disse...

cremos que Deus perdoa pecado, pois a Bíblia o diz claramente (Is. 55.7; Mt. 6.12; Mc. 2.5; Sl. 103.3 etc.). Mas entendemos que neste caso, “perdão” é um termo simples que designa a mudança de relacionamento que se dá entre Deus e o pecador, quando este se vale do sacrifício de Jesus. Por exemplo, está escrito na Bíblia que Deus se esqueceu dos pecados dos cristãos (Hb. 10.17). Naturalmente, neste caso, temos que entender que este “esquecimento” é conotativo. Trata-se de uma força de expressão, cujo objetivo é salientar a perfeição do perdão. Este, por sua vez, também é uma força de expressão. Se esse esquecimento fosse literal, Deus seria portador de amnésia; e se a fé, o arrependimento, e a conversão nos bastassem, Jesus teria morrido em vão. É verdade que Deus nos perdoa perfeitamente em Cristo, mas isto só é possível porque Jesus pagou o preço. A fé, o arrependimento e a obediência são condições impostas e indispensáveis (visto que da nossa passividade, Cristo não abre mão), mas não são a causa meritória. A causa meritória é, exclusivamente, o sangue de Jesus. E isto é coerente, porque se Deus, para perdoar o pecador, exigisse tão-somente o arrependimento, o pedido de perdão e a regeneração, Jesus Cristo teria morrido em vão. Este argumento pode parecer ilógico a quem não vê na morte de Jesus um ato substitutivo, mas apenas uma aula com exemplos práticos sobre o amor. Porém, a Bíblia deixa claro que a razão pela qual Jesus morreu é: O homem é pecador e Deus é justo, por cujo motivo ficamos irremediavelmente perdidos. Sim, irremediavelmente perdidos. O arrependimento, a fé, a conversão, a regeneração, etc., não podem nos salvar. O pecador tem uma pena a cumprir, e Deus não abre mão disso. A única solução seria Jesus cumprir a pena em nosso lugar. E Ele o fez. E é por isso que Jesus é o Salvador. Ele não salva com Sua Palavra e/ou com Seus exemplos, mas com o Seu sacrifício expiatório. Se Ele fosse apenas o Grande Mestre que é, não poderia nos salvar, visto que Deus exige que a dívida que contraímos seja paga. Mas graças a Deus, Jesus, além de grande educador, é, também, o nosso Cordeiro Pascoal ou “bode” expiatório. E Deus, apoiando-se no sangue de Jesus, nos dá um "perdão" tão perfeito, que até se "esquece" dos nossos pecados. www.radiopologetica.blogspot.com.br

ricardo disse...

Muito bom este artigo, É sem dúvida uma revelação de Deus.Para que possamos compreender o termo justiça.