sexta-feira, 14 de outubro de 2011

GOGUE E MAGOGUE - EZEQUIEL 38-39 E APOCALIPSE 20

AS ENIGMÁTICAS PALAVRAS "GOGUE E MAGOGUE" DE EZEQUIEL 38 e 39



Muito se tem escrito na vã tentativa de explicar convincentemente as palavras Gogue e Magogue.
As afirmações do eminente comentarista Adão Clarke são valiosas:

"É reconhecida ser esta a mais difícil profecia no Velho Testamento. Este estudo é difícil para nós porque não conhecemos nem o rei, nem o povo mencionados por ele: mas estou satisfeito, porque eram bem conhecidos, por aqueles nomes no tempo em que o profeta escreveu."


O Dicionário Enciclopédico da Bíblia da Editora Vozes, pág. 646 sintetiza:


"Gogue é uma figura apocalíptica em Ezequiel 38, chefe de exércitos hostis, que no final dos tempos hão de lutar contra Israel numa batalha terrível.... Ele é chamado (Ez. 38:2) rei de Ros (desconhecido), Mosoque e Tubal (dois povos da Ásia Menor). Todo o seu território é indicado pela denominação: "terra de Magogue", que talvez signifique a terra do macedônio Alexandre Magno. Em Apoc. 20:8 esse Magogue tornou-se uma figura independente ao lado de Gogue. O próprio Ezequiel deve ter visto neste Gogue um outro Agague (Núm. 24:7), o inimigo hereditário de Israel."

Palavras de código hebraicas ajudam a resolver um problema – e derrubam algumas acalentadas especulações.


"No capítulo 38 de Ezequiel é emitida uma mensagem de reprovação contra o misterioso Gogue, da terra de Magogue. No começo de Ezequiel há um numero de oráculo descrevendo a queda dos tradicionais inimigos de Israel: Amon, Moabe, Edom, Filístia, Tiro e Egito. A destruição desses inimigos foi necessária porque Israel não poderia existir como uma comunidade pacífica e segura, se fosse constantemente ameaçada por esses inimigos. No entanto, ficamos perplexos pelo fato de Babilônia não ter sido mencionada na lista dos inimigos de Israel.


Com os tradicionais inimigos de Israel destruídos, o que houve com aqueles povos e tribos que habitavam os externos limites do mundo? Ezequiel reconhece que aqueles dois constituem uma ameaça ao novo Israel, e pressente estarem mobilizando suas forças para atacá-lo.1 O líder desta horda pagã é Gogue, da terra de Magogue, o Príncipe de Meseque e Tubal. Com ele estão a Pérsia, Etiópia, Put, Gomer e Togarma. Juntos eles atacam a região pacífica onde o povo mora nas cidades sem muros, Porém Deus intervém e destrói esta horda pagã.


Mas quem é este Gogue, e onde fica a terra de Magogue? Gogue tem sido identificada com muitas figuras históricas do passado: nenhuma delas foi satisfatoriamente provada.2 A terra de Magogue tem sido identificada por alguns como sendo a Rússia, pelo fato de que Gogue vem do Norte (a localização geográfica da Rússia) e visto algumas versões entenderem ser Gogue o "príncipe de Rôs", permitindo alguns interpretadores fazerem uma conexão entre Rôs e Rússia. O próximo passo neste método errôneo de etimologia é ligar Meseque com Moscou, comparando de novo um Assírio equivalente a Meseque com Moscou. Ainda outro traço de falha evidência é acrescentado a este argumento, citando o historiador grego Heródoto, que chama Meseque de Moscou. Alguns foram mais longe, identificando Tubal com Tobolsk.


A solução da identificação da terra de Magogue na profecia de Ezequiel pode estar na compreensão do uso pelos hebreus, de escritas secretas. A aplicação de nosso conhecimento em escritas secretas nos ajudou a compreender certas palavras da Bíblia e dos rolos do Mar Morto.4 Uma forma de escrita empregada no Velho Testamento é conhecida como Atbash. Esta palavra é formada da primeira e da última letras do alfabeto hebraico, combinada com a segunda e a penúltima do mesmo alfabeto. A palavra Atbash é usada em Jeremias quatro vezes, sendo a mais conhecida delas a palavra Sheshach, que substitui a palavra Babilônia. As consoantes que designam Babilônia em hebraico são BBL, a segunda e a duodécima letras do alfabeto hebraico. Se contarmos as letras do alfabeto hebraico a começar do fim, a segunda letra será Sh, a qual é então substituída por B. Dois "Bb" são iguais a Sh Sh. A duodécima letra do alfabeto contando de trás para a frente, é K, que é substituída pela letra L. Assim, temos Sh ShK, que, acrescido das vogais apropriadas, forma - Sheshach.


Entre os rolos do Mar Morto está o Documento de Damasco, o qual em três passagens faz menção de uma obra autorizada chamada o Livro de Hagu. A palavra Hagu não tem significado por si. Mas, se acrescentarmos a ela a palavra Atbash, Hagu torna-se Tsaraph, significando "refinar, ou provar". Assim, o título "o Livro de Hagu', que nada significa, torna-se 'O Livro de Prova, ou 'Livro de Teste'."


Magogue, como Sheshach, é uma palavra-código para Babilônia.5 Todavia, o modo como foi derivada é diferente do modo como Babilônia foi derivada de Sheshach em Jeremias. Empregando o conceito de escrita enigmática, em lugar de contar do final do alfabeto para o início, usamos a próxima letra após B e L para caracteres na palavra-código. A letra que segue ao B no alfabeto hebraico é G, a letra depois de L é M; juntando essas letras teremos GGM. Em ordem inversa, isto dá MGG. Acrescentando as vogais apropriadas, teremos Magogue. Se Magogue é uma palavra-código para Babilônia, então esta nação está faltando na lista dos inimigos de Israel, mas aparece sob o nome de Magogue.6


Podemos também sugerir que o nome GOGUE é derivado de Magogue, usando as últimas duas letras da palavra e juntando-as a MGG. Gogue (GG) representaria possivelmente o chefe (rei) da terra de Magogue simplesmente porque se presta a uma ordem de letras com MGG. assim a solução de nosso problema Gogue-Magogue pode estar na direção de melhor compreensão do antigo uso hebraico de nomes enigmáticos ou códigos.


O que significa isto para o evangelista que pregou sobre a Rússia na profecia bíblica? Francamente, não há base para pregar sobre a Rússia como assunto específico das profecias de Ezequiel 38, 39. As questões feitas por Alger Johns (The Ministry, setembro, 1962, pág. 31) devem ser lidas novamente com grande proveito, especialmente as que falam da necessidade de pregar somente sobre fatos sustentáveis e baseados em exegese segura.


As hordas pagãs mencionadas em Ezequiel, contudo, podem ser usadas para descrever simbolicamente os poderes do mal, que sempre estiveram e sempre estarão em conflito com o reino de Deus até o triunfo final de todas as coisas. O comunismo ateísta bem poderia colocar-se entre esta descrição dos inimigos de Deus, mas ela é referente a um símbolo muito mais abarcante que o próprio Comunismo.

Gogue e Magogue são usados simbolicamente em Apocalipse 20, para as nações da ímpia assembléia de Satanás, reunida após o milênio para atacar a Nova Jerusalém. Lá a hoste dos ímpios é destruída por Deus, que envia fogo do céu para consumi-los. Apesar de a vitória dos bons sobre os maus não ter sido absolutamente assegurada na história de nossos tempos, um dia ela o será. Até que chegue esse dia, temos de estar vigilantes quanto a qualquer poder que se levante contra Deus, como Seu inimigo, e enfrentá-lo resolutamente com a palavra de Deus nas Santas Escrituras."

Referências:
1. S. Vinward, A Guide to the Prophets (Richmond,1968), pág. 165.
2. SDA Bible Dictionary, pág. 408.
3. The Septuagint transliterates the Word rosh (head) as a proper name (Rosh).
4. H. J. Schofield, Secrets of the Dead Sea Scrolls (New York, 1957, pág. 21.
5. J. N. Schofield, Law, Prophets, and Writings (London, 1969), pág. 209.
6. Ver "Gematria", Encyclopaedia Judaica, VII, cols. 369, 370.

Texto de A. Josef Greig

Livro: Leia e Compreenda melhor a Bíblia
Professor: Pedro Apolinário

Copilado por:
Pr. Cirilo Gonçalves da Silva
Mestre em Teologia e evangelista
Twitter: @prcirilo




Um comentário:

Anônimo disse...

Resolver não ajuda, agora criticar a interpretação dos outros...