quarta-feira, 30 de novembro de 2011

TEOLOGIA DE ÁRIO E O CONCÍLIO DE NICÉIA

CONCÍLIO DE NICÉIA EM 325 E A TEOLOGIA DE ÁRIO

O Concílio de Nicéia reuniu-se em ração ao ensino de Ário. Ário era um Presbítero de Alexandria. Ário cria que o Pai é maior que o Filho que por sua vez é maior que o Espírito Santo. Ele não cria numa hierarquia de seres divinos, mas em um monoteísmo radical dizendo que apenas o Pai é Deus. Para Ário, o Filho é através de quem o Pai criou o universo, mas ele é apenas uma criatura feita do nada, não Deus. Como uma criatura ele não é eterno, mas teve um começo. "Houve um momento quando ele não era". Esses foram os pontos do debate no Concílio de Nicéia identificado pelo próprio Ário:
  1. O Filho teve um começo
  2. O Filho foi feito do nada
Em 324, Constantino tornou-se imperador do Oriente e do Ocidente e foi forçado a intervir no mundo religioso e resolver o conflito teológico provocado pelas idéias de Ário. Constantino convocou um Concílio pra resolver o problema. Em Junho de 325, sob a sua presidência, cerca de 220 bispos estavam presentes para discutir os temas (A tradição mais recente deu o número de 318, provavelmente derivado de Gênesis 14:14). O Concílio condenou Ário e produziu um credo antiariano, o Credo de Nicéia - não podemos confundir com o "Credo Niceno", que foi originado no Concílio de Constantinopla em 381. 

Veja o documento chamado CREDO DE NICÉIA:

Nós cremos em um Deus, o Pai todo poderoso, criador de todas as coisas visíveis e invisíveis.
E em um Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, gerado do Pai, isto é, da substância do Pai. Ele é Deus de Deus, luz de  luz, verdadeiro Deus de verdadeiro Deus, gerado não criado, de substância (homoousios) com o Pai. Por ele todas as coisas foram feitas, as coisas no céu e sobre a terra. Por nós homens e para a nossa salvação ele desceu, foi feito carne e tornou-se homem. Ele sofreu, ressuscitou ao terceiro dia e ascendeu aos céus. Ele virá novamente para julgar os vivos e os mortos. E no Espírito Santo.
Mas a santa igreja católica apostólica excomunga (amaldiçoa) aqueles que dizem: "Houve um tempo quando ele não existia" e "ele foi feito do nada" e aqueles que afirmam que ele é de algum ser ou outra substância senão a do Pai ou que é mutável ou passível de mudança.

Mais tarde o Concílio de Nicéia foi considerado como o primeiro dos concílios gerais ou ecumênicos. Mas não alcansou tal favor em sua época. Longe de terminar o debate sobre a deidade de Jesus Cristo, Nicéia o inaugurou.

Em Nicéia Ário foi condenado pelo uso da palavra homoousios em particular. Nicéia dividiu a igreja em dois grupos principais:
  1. O partido niceno estava convencido quanto a plena deidade de Jesus Cristo
  2. Os arianos continuaram com a ideia da não deidade de Jesus Cristo.
Por causa do desentendimento e da polarização, estes dois partidos defrontaram-se por quase meio século. Isto foi chamado de "Controvérsia Ariana", mas imprecisamente. A controvérsia principal foi entre os nicenos e os originistas, com os arianos servindo como catalizadores do debate, em vez de participantes principais. 

O debate do quarto século sobre a pessoa de Jesus Cristo pode parecer remoto para nós hoje, especialmente por causa dos termos não-familiares usados. Às vezes pode parecer como um argumento filosófico obscuro. Mas o ponto em questão é fundamental e central à fé cristã. Jesus Cristo é meramente uma criatura enviada por Deus, ou Ele é a revelação do próprio Deus?

A deidade de Jesus Cristo é o fundamento de toda fé cristã verdadeira. Sem ela não há verdadeira revelação de Deus em Jesus e a doutrina cristã da salvação é prejudicada. Ário levantou um dos assuntos mais importantes na história da teologia e os pais antigos foram corretos ao afirmar a plena deidade de Jesus Cristo claramente em oposição a ele.

Pr. Cirilo Gonçalves da Silva
Mestre em Teologia e Adventista
Twitter: @prcirilo

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